Uma importante inspiração ética e estética é o trabalho da cineasta e intelectual vietnamita, radicada nos Estados Unidos, Trinh T. Minh-ha.
Em obras que provocam as fronteiras entre a arte e a ciência, transitando entre o documentário, o filme etnográfico, o cinema experimental e o cinema narrativo, Minh-ha assume, a partir de escolhas estéticas, uma postura ética que questiona os discursos elaborados para marcar e referendar lugares de autoridade e poder.
A ênfase de suas produções é pautada pela revelação de que a audiovisualidade é uma construção de discurso resultante de uma opção deliberada. E, para demonstrar o modo como a obra se constrói, Trinh T. Minh-ha opta por uma estética comprometida com o desvelamento das relações de poder e de exploração subsumidas nos discursos hegemônicos da colonialidade.
Em “Reassemblage - from the firelight to the screen” (1983), por exemplo, é recorrente a reação dos sujeitos retratados, que devolvem seus olhares e seus sorrisos, sua desconfiança e sua permissão, permitindo a quem assiste perceber diversos momentos da relação estabelecida entre a cineasta e as pessoas filmadas. “Eu não pretendo falar sobre. Apenas falar próximo”, diz a cineasta no filme supracitado.
Além disso, as paisagens sonoras do documentário, construídas na junção de instrumentos musicais, cantos, conversações, sons de insetos e batidas no pilão, não são utilizadas em sincronia com as imagens dessas ações e, unidas aos recorrentes momentos de silêncios, provocam estranhamento e desestabilizam as expectativas típicas das narrativas convencionais.



