Foto: Laysa Dandara
Distante cerca de 20 quilômetros dos centros urbanos das cidades de Juazeiro e Petrolina, a Ilha do Massangano está situada em uma encruzilhada de águas.
Sobre as forças das águas do rio correm ali diversas correntezas: “algumas qualidades de espíritos mais afeitos às águas, em especial os ‘caboclos’ – seres que, junto às ‘almas’, estão sempre a caminhar ‘mais eles’”.
Por lá, as celebrações são como as estações mundurukus, que se dobram e se renovam. O calendário é aberto com o giro do Reisado em janeiro e segue com a festa da Caboclinha Coroada do Rio, a Penitência (Disciplinadores e Alimentadeiras das Almas) e as festas de Santo Antônio e de Cosme e Damião.
As crianças participam ativamente de cada celebração e o único cemitério da Ilha, o “cemitério dos anjinhos ou das alminhas”, é reservado apenas para elas. Mesmo assim, as etnografias que têm o Massangano como espaço de pesquisa seguem sem vê-las e escutá-las.
Portanto, nesta proposta de emersão dos sentidos das crianças massanganas, reconhecendo a força integradora e produtora da comunidade, há uma inversão de sentidos das abordagens dominantes no campo etnográfico que tematizam a Ilha.

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