Uma das inspirações teóricas desta pesquisa é Manuel Sarmento, professor associado da Universidade do Minho, em Portugal. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia da Infância, atuando principalmente nos seguintes temas: infância, exclusão social, trabalho, educação e escola.
Ao discorrer sobre o significativo atraso, numa perspectiva internacional, dos estudos da infância no Brasil e em Portugal, destaca na expressão literária, e seu “inesgotável e insubstituível poder de fixação imagética dos mundos complexos da infância”, um contraponto à formulação do pensamento científico nesse campo. Entre os escritores brasileiros citados, estão Cecília Meireles, Mário Quintana e Manoel de Barros.
Para Sarmento, a ação pioneira da poesia, gênero literário que o próprio Manoel de Barros (1999) diz ter aprendido com as crianças, “criou as condições culturais e linguísticas para o desenvolvimento de um pensamento sobre a infância, que os estudos da criança herdaram como um importante recurso para o seu labor analítico”.
Atualmente, os estudos da infância têm pautado uma agenda analítica que situa a criança como sujeito integrado histórica, social e culturalmente, que se apropria e produz a história humana de forma ativa e criativa.
Ao compreender a ênfase na pesquisa com crianças, e não sobre, e reconhecer as dizibilidades e visibilidades infantis no campo empírico, diversos estudos têm descortinado processos de normativização e estabelecido o lugar social da infância a partir do contexto e do momento.
Sarmento endossa a razão pela qual uma abordagem crítica em estudos da criança necessita priorizar o estudo das crianças à margem da norma ocidental: “A criança não deixa de o ser por viver ‘à margem’ da norma: as suas necessidades, os seus modos de apreensão e simbolização do mundo, a sua cultura, permanecem inevitavelmente infantis, nas condições em que essa condição infantil se exprime”.

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